Consulado dos EUA no Recife promove mutirão para lembrar o 11 de setembro

Posted on 11/09/2010

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Para a norte-americana Ann Marie Donohoe, o 11 de setembro de 2010 ficará marcado como o dia em que ela botou a mão na massa e ajudou a construir casas populares para famílias de baixa renda do município de Feira Nova, a 77 quilômetros do Recife, em Pernambuco.

“Está sendo fantástico”, diz sorrindo a epidemiologista aposentada.

Sob o sol escaldante do agreste pernambucano, ela cava, carrega brita em carro de mão e transporta baldes e mais baldes com cimento para nivelar o chão de uma das cem casas que estão sendo levantadas no loteamento Jarbas Gonzaga.

A vila popular é um projeto da Habitat para a Humanidade Brasil, organização não-governamental que tem como causa promover a moradia digna para a população de baixa renda.

A entidade conta com a ajuda dos futuros moradores na construção das vilas, além do auxílio de trabalhadores voluntários como Ann Marie.

Ela e o marido moram em Phoenix, no estado norte-americano do Arizona, e vieram ao Brasil integrar o grupo de voluntários de Feira Nova, onde passaram uma semana de muito trabalho.

“Estamos aposentados, mas queremos nos manter produtivos”, diz ela, já com planos de voltar ao Brasil para novas obras voluntárias.

No último dia de canteiro de obra e a poucas horas de pegar o avião para casa, Ann Marie dividiu as tarefas mais pesadas com funcionários do Consulado dos Estados Unidos no Recife.

Os diplomatas, entre eles o cônsul Christopher Del Corso, e alunos da Escola Americana do Recife se juntaram ao grupo de voluntários da Habitat para celebrar o 11 de setembro.

O motivo não foi exatamente o mundialmente famoso ataque ao World Trade Center, em Nova Iorque, mas o fato de hoje ser o Dia Nacional do Serviço Voluntário nos Estados Unidos.

“É um dia meio triste para nós, mas também podemos prestar serviços e ajudar o povo, e o dia passa a ter dois lados”, diz o diplomata.

Já para a raspadeira de mandioca Inácia Tereza da Conceição, este 11 de setembro terá um lado só: o da gratidão.

O mutirão acelerou as obras e a casa na qual ela espera morar com a família, aos poucos, deixa de ser um sonho.

“É a verdade”, diz com o orgulho de quem também arregaça as mangas.

“Carrego barro, encho os carros, tudo eu faço”, completa.

Quando a casa ficar pronta, Inácia vai receber o título de posse, documento que nos projetos da Habitat é entregue às mulheres das famílias beneficiadas.

“No caso específico de Feira Nova, são mulheres trabalhadoras de casa de farinha”, diz o técnico social Claudio Braga.

“É um projeto que tem a perspectiva de gênero, com várias ações de empoderamento das mulheres desse local”, completa.

A maioria das beneficiadas ganha apenas meio salário mínimo e todas dependem do bolsa família para manter os filhos.

No Brasil desde 1992, a Habitat para a Humanidade foi fundada nos Estados Unidos em 1976 e já construiu 300 mil moradias em mais de três mil comunidades de 90 países.


A professora aposentada da Carolina do Norte Patricia Brame já fez trabalhos voluntários em Honduras e na Guatemala; em Feira Nova, recolhe o lixo do terreno onde está sendo construída a vila popular.

Em pleno 11 de setembro, o cônsul dos EUA no Recife, Christopher Del Corso, põe a mão na massa e ajuda a construir a moradia de mulheres que trabalham em casas de farinha de Feira Nova.

Integrantes da Escola Americana do Recife também participaram do mutirão que marcou o Dia Nacional do Serviço Voluntário, comemorado hoje nos EUA.

Texto e fotos de Antônio Martins Neto

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