Relatório da ONU mostra que quando o assunto é biocombustíveis o joio deve ser separado do trigo

Posted on 23/10/2009

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Brasil é citado como exemplo positivo ao extrair etanol da cana de açúcar

Brasil é citado como exemplo positivo ao extrair etanol da cana de açúcar

Antônio Martins Neto

Na luta contra o aquecimento global, os biocombustíveis são vistos como armas potentes e eficientes, capazes de substituir boa parte do petróleo consumido no planeta.

Mas um relatório do United Nations Environment Programme (UNEP) – o programa de meio ambiente das Nações Unidas – recomenda uma análise mais cautelosa dos benefícios e desvantagens oferecidos pelos combustíveis extraídos de biomassa e prega a necessidade de separar o joio do trigo.

O documento é baseado numa revisão detalhada de pesquisas sobre o tema publicadas até agosto de 2009 e foi divulgado na semana passada pelo UNEP.

O relatório – o primeiro do Painel Internacional de Administração de Recursos Sustentáveis do UNEP – afirma que a primeira geração de biocombustíveis, como o etanol extraído da cana de açúcar, pode ter um impacto positivo na redução de emissão de gases de efeito estufa.

O texto cita o Brasil, onde o uso do álcool combustível tem reduzido de 70% a 100% a emissão dos gases quando usado em substituição à gasolina.

No entanto, a forma como o biocombustível é produzido também pode determinar se vai haver maior ou menor emissão.

O uso de biocombustível extraído do óleo de palmeira plantada em turfeiras desmatadas, por exemplo, pode aumentar a emissão de gases de efeito estufa em até 2.000% se comparado ao uso de combustíveis fósseis.

A razão disso, segundo o relatório, estaria no carbono liberado pelo solo.

Por outro lado, esse mesmo biocombustível pode ter um impacto positivo se a palmeira ou a soja forem plantadas em áreas abandonadas ou degradadas.

Em outro ponto, o relatório alerta que em algumas situações usar a terra para a instalação de painéis solares pode ser mais eficiente que destiná-la para a plantação de grãos.

Achim Steiner, diretor executivo do UNEP, defende um debate mais sofisticado sobre o uso dos biocombustíveis

Achim Steiner, diretor executivo do UNEP, defende um debate mais sofisticado sobre o uso dos biocombustíveis

“O relatório deixa claro que os biocombustíveis têm um papel no futuro, mas destaca que também existem outras opções para se combater as mudanças climáticas que podem ou não envolver a transformação de mais grãos ou de grãos sobressalentes em combustível líquido”, explica Achim Steiner, diretor executivo do UNEP.

“Os biocombustíveis não são uma panaceia nem um pária, mas como toda tecnologia representam tanto uma oportunidade quanto um desafio”, completa Steiner, para quem um debate mais sofisticado sobre a questão tem que ser levado a cabo com urgência pela comunidade internacional.

“É uma escolha da humanidade a melhor maneira de administrar os recursos finitos do solo e de equilibrar tantos interesses conflitantes num mundo de seis bilhões de pessoas”, completou.

Clique aqui para ler o release da setor de imprensa do UNEP (em inglês).

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