Proposta de criação de fundo para combater aquecimento global nos países em desenvolvimento divide UE

Posted on 05/10/2009

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Antônio Martins Neto
Ministro da Finanças da Polônia, Jan Rostowski, que causou tensão na União Europeia ao dizer que o país não pretende contribuir com o fundo financeiro para países em desenvolvimento

Ministro das Finanças da Polônia, Jan Rostowski, que causou tensão na União Europeia ao dizer que o país não pretende contribuir com o fundo financeiro para países em desenvolvimento

A proposta feita pela Comissão Europeia de transferir 22 bilhões de dólares por ano para ajudar os países em desenvolvimento a conter os avanços do aquecimento global tem dividido os membros do bloco econômico.

O primeiro a se pronunciar contra a ideia foi o ministro das Finanças da Polônia, Jan Rostowski, que causou tensão na comunidade ao dizer na última sexta-feira (02) que o país não pretende contribuir com o fundo.

“É totalmente inaceitável que os países pobres da Europa devam ajudar os países ricos da Europa a ajudar os países pobres do resto do mundo”, disse o ministro, cujas palavras foram reproduzidas por várias publicações do continente.

A Comissão Europeia, presidida pelo português José Manuel Barroso, propôs aos membros do bloco a transferência dos recursos, coletivamente, como parte dos esforços para assegurar um novo tratado global sobre o clima na conferência das Nações Unidas a ser realizada de 07 a 18 de dezembro em Copenhague, na Dinamarca.

Mas segundo o repórter James Kanter, do blog Green Inc, do jornal norte-americano The New York Times, a Polônia teme que a contribuição de cada país seja definida a partir do nível de emissão de CO2, o que pode ser prejudicial para a economia do país, cuja energia elétrica é gerada basicamente pela queima de carvão.

Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, é autor da proposta de transferir 22 bilhões de dólares por ano para o países em desenvolvimento

Presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, autor da proposta de transferir 22 bilhões de dólares por ano para os países em desenvolvimento

A Polônia defende que o cálculo seja feito com base na capacidade financeira de cada membro do bloco.

O país ocupa o 41o lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado hoje pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD, e é atualmente o menos desenvolvido economicamente da Europa Oriental.

Além do fundo para ajudar os países em desenvolvimento, os europeus também estão divididos quanto à proposta de criação de um imposto geral baseado na queima de combustível, como óleo para os aquecedores domésticos e o diesel para os automóveis.

A adoção de um imposto como esse para todo o bloco é defendida por Suécia e França, mas a Grã-Bretanha, por exemplo, prefere manter a tributação um assunto estritamente nacional.

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Posted in: Política