Um dia sem carro no Recife

Posted on 23/09/2009

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Antônio Martins Neto

Ontem, Dia Mundial Sem Carro, decidi levar a sério a proposta dos ativistas e fui a pé para o trabalho.

O trajeto da minha casa, no bairro das Graças, no Recife, até a TV Jornal, onde apresento o telejornal da noite, tem cerca de 2,5 km.

Não é muito, mas o sol das 13h30 castigou bastante e a sensação foi de ter andado mais, muito mais.

Durante o percurso, fiz algumas fotos –  bem despretensiosas – com uma máquina digital amadora.

Queria apenas registrar aquilo que mais me chamou a atenção pelo caminho.

E o que chamou a atenção também despertou sentimentos.

Indignação diante do entulho que bloqueva uma calçada; desespero ao entrar numa rua sem árvore; conforto ao chegar a uma rua cheia de árvores, revolta ao ver o lixo na calçada, insegurança ao andar sobre uma calçada destruída e o alívio ao avistar o prédio de TV depois de 45 minutos sob o sol recifense, em pleno mês de setembro.

Suei muito, cheguei ensopado.

Mas valeu a pena e, da próxima vez que passar pela experiência, vou amar tomar uma chuveirada antes de seguir para a reunião de pauta.

Espero me sentir renovado, vazio das preocupações que acumulei pela manhã,  cheio dos planos que tracei pelo caminho e com o sangue correndo rápido nas veias para dar conta das tarefas que terei pelo resto do dia.

Veja abaixo as fotos do dia em que a ida para o trabalho ganhou uma nova perspectiva.

Este foi o veículo escolhido para a caminhada

Este foi o veículo escolhido para a jornada

Preparado para sair de casa e prestes a enfrentar o sol de setembro

Preparado para sair de casa e prestes a enfrentar o sol de setembro

Entulhos quase bloqueiam a calçada, ainda na rua de casa

Entulhos quase bloqueiam a calçada, ainda na rua de casa

Sempre bate um desespero em uma rua sem árvores, derrubadas sem piedade no Recife

Sempre bate um desespero em uma rua sem árvores, derrubadas sem piedade no Recife

Por sorte, ainda restam ruas onde o verde ainda sobrevive e o sol não castiga tanto

Por sorte, ainda restam ruas onde o verde sobrevive e o sol não castiga tanto

As calçadas destruídas mostram o descaso para com os pedestres, ainda a maioria da população e dos eleitores

As calçadas destruídas mostram o descaso com os pedestres, maioria da população e dos eleitores

O lixo na rua é um obstáculo para o pedestre, além de motivo para vergonha

O lixo na rua é um obstáculo para o pedestre, além de motivo de vergonha

Foram 45 minutos até a sede da TV, no centro do Recife

Foram 45 minutos até a sede da TV, no centro do Recife

Numa cidade onde a classe média abandonou as ruas e se trancou nos carros, muitam não acreditaram quando eu disse que tinha vindo de casa à pé

Numa cidade onde a classe média abandonou as ruas e se trancou nos carros, muitos não acreditaram quando eu disse que tinha vindo de casa a pé

A camisa ensopada serviu de prova

A camisa ensopada serviu de prova

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Posted in: Comportamento