Inovação e sustentabilidade na base da pirâmide

Posted on 18/09/2009

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Boas lideranças se preparam para o inevitável e o transformam em oportunidade, de Prahalad sobre a necessidade de se adotar práticas sustentáveis nos negócios

Boas líderes se preparam para o inevitável e o transformam em oportunidade, diz Prahalad sobre a necessidade de se adotar práticas sustentáveis nos negócios

Reproduzimos aqui alguns trechos da entrevista que o repórter Jim Witkin fez para o Blog Green Inc, do The New York Times, com A.C. Prahalad, professor de estratégia corporativa da Ross School of Business, da Universidade de Michigan, sobre a sustentabilidade e o mercado emergente.

Prahalad é autor do livro “The Fortune at the Bottom of the Pyramid” (A Fortuna na base da Pirâmide, em tradução livre), além de um dos pesquisadores por trás de um estudo sobre o assunto publicado este mês na Harvard Business Rewiew, que você pode ter acesso ao clicar aqui.

Segundo o repórter do Green Inc, que entrevistou Prahalad por telefone, a lição número um do professor é “Fazer mais com menos”.

Seguem alguns trechos da entrevista editados em tópicos pelo Blog Mundo Possível:

Sustentabilidade e crescimento

Considere que de três a quarto bilhões de pessoas no mundo querem sair da pobreza e se tornar micro-consumidores e micro-produtores. Os impactos dessa mudança de padrão no crescimento econômico e no comércio não podem ser ignorados. Mesmo que o nosso horizonte seja de apenas de dez anos, isso irá trazer conseqüências difíceis de serem previstas para o meio ambiente, em relação ao consumo de água, energia, alimentos, transporte.

Portanto, a sustentabilidade corporativa e o crescimento inclusivo das camadas mais pobres no mercado global estão inexoravelmente ligados.

Desafios com o crescimento

O debate sobre a alocação de água para a agricultura, indústria e consumo pessoal e o preço dessa água vai continuar a aumentar. A poluição, a escassez e a crescente demanda já são uma realidade. Basta olhar para o Quênia. O desmatamento tem contribuído. O Rio Mara está quase seco. A guerra pela água já existe no país.

O debate sobre o uso da energia e do carvão na China também vai aumentar. Uma vez que muitos fornecedores estão baseados lá, as multinacionais que lidam com esses fornecedores devem se posicionar com relação à emissão de gases, poluição e contaminação de recursos naturais.

Mas esse debate tem que ir além da questão das emissões de dióxido de carbono. Servir a um mercado consumidor emergente pode trazer muitas desgraças às políticas de sustentabilidade das corporações, mas pode também ser uma fonte de inovação.

Como inovar

Veja a área de eletrônicos. Cada consumidor vai querer um celular e o designer terá que ser questionado: porque cada modelo de celular necessita de um modelo diferente de carregados? Imagine a economia de recursos, e a economia para o consumidor, se passar a existir apenas um carregador universal?

A mesma coisa em relação ao transporte. As empresas que quiserem servir a esses consumidores emergentes vão ter que encontrar combustíveis sustentáveis para esses carros.

Sobre a escassez de água, nós damos uma série de exemplos em nosso artigo na Harvard Business Review, como: podemos desenvolver detergente que não precisam de água? Podemos plantar arroz capaz de crescer também sem água?

Resistência à sustentabilidade

Empresas com perspectivas, companhias com boas lideranças, se preparam para o inevitável e o convertem em oportunidade. Eu diria: se engaje no inevitável e inove agora.

Servir à base da pirâmide econômica vai forçar as empresas a repensarem muitos de seus paradigmas atuais, e vai ensiná-las a fazer mais com menos para o benefício da maioria.

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Posted in: Economia