EUA podem até exportar tecnologia, mas no futuro serão os grandes importadores de energia limpa, diz T. Friedman

Posted on 16/09/2009

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Para jornalista norte-americano, Estados Unidos estaria perdendo o bonde da História ao não investir em energia solar

Para jornalista norte-americano, Estados Unidos estariam perdendo o bonde da História ao não investir em energia solar

Antônio Martins Neto

A coluna do jornalista norte-americano Thomas L. Friedman publicada hoje no The New York Times é de uma certa forma inspiradora.

Clique aqui para acessar o artigo em inglês.

Para quem não sabe, Friedman é autor do best-seller The World is Flat – A Brief History of the Twenty-first Century (ou o Mundo é Plano – Uma Breve História do Século XXI), ganhador do prestigiado Prêmio Pulitzer de 2002 e autor de uma coluna no NYTimes sobre relações internacionais desde 1995.

O texto de Friedman publicado hoje trata das pontencialidades das energias renováveis, em especial a solar, e da grande oportunidade histórica que os Estados Unidos estariam perdendo ao não incentivar a construção de usinas no seu próprio território, apesar de serem o principal exportador da tecnologia de ponta que permite a instalação de campos de energia solar em vários países do mundo, da Alemanhã à China.

O jornalista começa o artigo relatando uma visita feita à Applied Material, inicialmente uma fabricante de máquinas de produção de microchips, que em 2004 resolveu retirar vantagem de seus conhecimentos em nanotecnologia para fabricar as máquinas que produzem os painéis de energia solar.

A companhia tem 14 fábricas, nenhuma nos Estados Unidos.

As plantas estão na Alemanha (5) e China (4), além de Espanha, Índia, Itália, Taiwan e Abu Dhabi, cada um com uma fábrica.

“Cerca de 95% de nossos negócios com energia solar são feitos fora dos EUA”, disse.

O maior centro de pesquisa em energia solar do mundo será aberto em outubro em Xian, na China.

O maior centro de pesquisa em energia solar do mundo será aberto em outubro em Xian, na China.

A razão para isso, segundo o autor, é que os governos dos países onde as fábricas estão instaladas adotaram os três pré-requisitos para o desenvolvimento de uma indústria de energia renovável: regulamentação, preço competitivo e conectividade com a rede elétrica.

Segundo Friedman, nada disso foi feito nos Estados Unidos.

No seu artigo, Friedman também apresenta números impressionantes.

Na Alemanha, a indústria de energia renovável criou 50 mil novos empregos, só perdendo para a indústria automobilística.

Já Mike Splinter, CEO da Applied Material, revelou que a receita da companhia com os painéis de energia solar foi de 1,3 bilhão de dólares.

“Num mundo como esse, energia renovável – em que o custo varíavel com combustível, sol e vento, é zero – terá uma grande demanda”, disse o colunista.

A urgência já foi captada pela China, segundo Friedman.

O gigante asiático teria percebido que a tecnologia limpa será a próxima grande indústria e, por isso, estaria criando um impressionante mercado interno para a geração de energia solar e eólica, uma plataforma criada para exportação.

Não é à toa que em outubro a Applied Material vai abrir em Xian, na China, o maior centro de pesquisa em energia solar do mundo.

“Portanto, se você gosta de comprar petróleo da Arábia Saudita, você vai amar importar painéis solares da China”, escreve Friedman no encerramento do seu artigo.

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Posted in: Economia